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Migração de Ambiente VMware para Oracle Cloud Infrastructure Utilizando o Oracle Cloud Migration (OCM)

Por Andrey Schulz– Especialista em Arquiteturas de Missão Crítica e Cloud


Resumo


Este artigo descreve o processo técnico de migração de 48 máquinas virtuais, distribuídas entre ambientes de produção, qualidade e desenvolvimento, de uma infraestrutura VMware on-premises para a Oracle Cloud Infrastructure (OCI). O projeto utilizou o Oracle Cloud Migration (OCM) como ferramenta central de orquestração, aplicando descoberta automatizada de ativos, replicação contínua de dados e conversão de discos. O documento apresenta o planejamento em ondas de migração, os pré-requisitos técnicos, a configuração da conexão entre ambientes, o processo de discovery, a estruturação do projeto de migração e o procedimento executado no dia do Go-Live.


1. Introdução


A migração de cargas de trabalho de ambientes on-premises para a nuvem pública representa um dos principais movimentos de transformação de infraestrutura nas organizações atuais. Este artigo documenta a estratégia, o planejamento e a execução de um projeto de migração de grande porte, no qual aproximadamente 48 máquinas virtuais foram transferidas de uma infraestrutura baseada em VMware para a Oracle Cloud Infrastructure.

Como o ambiente de origem operava sobre VMware, o Oracle Cloud Migration foi adotado como ferramenta central para orquestrar o processo. O OCM oferece recursos nativos integrados à OCI, permitindo descoberta automatizada de ativos, replicação contínua de dados e conversão de discos, com impacto operacional reduzido durante a transição.


1.1 Objetivo


O objetivo deste artigo é apresentar, de forma estruturada, o processo de migração executado com o OCM, incluindo as responsabilidades técnicas envolvidas e os pré-requisitos necessários para a execução da atividade, servindo como referência técnica para projetos de migração semelhantes.


2. Metodologia de Migração

2.1 Planejamento Estratégico e Ondas de Migração


Para mitigar riscos e assegurar a estabilidade dos serviços durante a transição, o projeto foi estruturado em ondas de migração bem definidas. A segmentação dos workloads considerou o nível de criticidade de cada ambiente e a necessidade de janelas de indisponibilidade, conforme apresentado na Tabela 1.


Onda

Descrição do escopo

Janela / Estratégia

Onda 1

Teste de migração com máquinas de ambiente de qualidade.

Validação técnica e ajustes de processo.

Onda 2

Ambiente produtivo de alta criticidade.

Migração sem necessidade de janela de parada (zero downtime).

Onda 3

Ambientes produtivos principais (Go Live).

Execução com janela de parada programada.

Onda 4

Ambientes remanescentes de qualidade e desenvolvimento.

Consolidação final do parque computacional.

Tabela 1. Estrutura das ondas de migração

2.2 Preparação e Configuração de Pré-requisitos


A fase preparatória consistiu na validação da compatibilidade das máquinas virtuais VMware conforme a documentação oficial da Oracle, assegurando que os sistemas operacionais e as configurações de hardware estivessem aptos para a virtualização na OCI. Foram aplicadas configurações prévias de UUID no ambiente VMware e instaladas as bibliotecas e pacotes solicitados pelas diretrizes da Oracle.

O próprio OCM indica os pré-requisitos para a configuração do ambiente. Essa ferramenta foi utilizada para o deploy das configurações necessárias, o que reduziu a incidência de erros manuais na etapa inicial. Três componentes de infraestrutura sustentaram essa base técnica:


  • Compartments: organização lógica dos recursos para implantação do OCM e dos workloads replicados.

  • Object Storage Buckets: utilizados para armazenar dados de replicação e dependências do agente.

  • OCI Vault: armazenamento seguro de chaves de criptografia e credenciais de acesso ao VMware.


2.3 Estabelecimento da Conexão com o VMware


A integração entre o ambiente on-premises e a OCI exigiu a criação de uma conexão remota (Remote Connection) no OCM. O primeiro passo prático consistiu no upload das dependências do agente, obtidas diretamente junto aos canais oficiais da Broadcom e VMware, para o bucket de replicação configurado anteriormente.

Com o agente preparado, realizou-se o download da imagem OVA para o deploy da máquina virtual no VMware local, responsável por atuar como gateway de comunicação entre o data center on-premises e a OCI. Durante a implantação da VM, foram configuradas interfaces de rede distintas, interna e externa, com as devidas liberações de regras de firewall. Após a inicialização, o endereço IP gerado foi cadastrado no OCM, na seção de registro de agentes.


2.4 Configuração do Discovery


Na etapa de descoberta, foi criado um Asset Source apontando para o endpoint do agente implantado. Essa fase exigiu a indicação de dois compartments de destino: um para o registro dos metadados dos ativos coletados e outro destinado à posterior criação e hidratação das VMs replicadas.

Para a coleta de informações das máquinas virtuais, configurou-se uma credencial de acesso ao vCenter com privilégios de leitura, armazenada de forma segura no OCI Vault. Por fim, definiu-se um agendamento para a execução noturna de varreduras de descoberta de ativos, minimizando o impacto sobre a operação em horário comercial.


2.5 Configuração do Migration Project


Com o inventário mapeado, foram estruturados os Migration Plans no OCM, alinhados às ondas de migração planejadas e projetados para otimizar o tempo de indisponibilidade. A estratégia de replicação utilizou os buckets criados na fase inicial, executando sincronizações diárias incrementais.

As instâncias de destino na OCI foram dimensionadas utilizando processadores otimizados da linha AMD E5, assegurando aderência de performance ao workload esperado em produção.


2.6 Procedimento de Go-Live


No dia planejado para o Go-Live, o procedimento seguiu um fluxo rigoroso para garantir a integridade dos dados, composto pelas seguintes etapas:


  • Interrupção controlada das aplicações no ambiente de origem.

  • Execução da replicação delta final, assegurando a ausência de perda de dados.

  • Geração automática da infraestrutura (stack) por meio da ferramenta, com implantação na OCI.

  • Execução de ajustes pós-deploy, incluindo redirecionamento de apontamentos e testes de sanidade.


Destaca-se que, por opção estratégica, adotou-se o modelo de licenciamento Bring Your Own License (BYOL), dispensando a conversão imediata para o licenciamento incluído da Oracle. O mesmo roteiro metodológico foi reproduzido com sucesso nas ondas subsequentes do projeto.


3. Resultados


A aplicação do OCM permitiu a execução de um processo de migração estruturado e replicável entre as quatro ondas do projeto. A segmentação por criticidade reduziu o risco operacional, especialmente na onda referente ao ambiente produtivo de alta criticidade, executada sem janela de parada. O uso de sincronizações incrementais diárias manteve os ambientes de origem e destino próximos ao longo de todo o processo, o que reduziu o tempo de corte necessário no momento do Go-Live.


4. Conclusão


O projeto demonstra que a combinação entre planejamento em ondas, validação prévia de pré-requisitos e uso de uma ferramenta nativa de orquestração, como o Oracle Cloud Migration, reduz o risco técnico e operacional em migrações de grande escala. A adoção do modelo BYOL, associada a um roteiro de Go-Live testado e replicado entre ondas, contribuiu para a estabilidade dos serviços durante toda a transição do ambiente VMware para a Oracle Cloud Infrastructure.

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